Carne, Carnaval e Democracia Popular
Por Belarmino Mariano*
"Quem não gosta de carnaval, bom sujeito não é, é ruim da cabeça ou doente do pé!" Neste título troquei o termo samba por carnaval para ampliar a ideia, pois quem tem medo do Carnaval não tolera a diversidade e nem a democracia.
Muita gente pensa que o carnaval é uma invenção dos brasileiros, pois aqui, em qualquer parte do país, o carnaval é vivido intensamente. Mas o carnaval não foi criado pelos brasileiros, a festa é antiga e seus primórdios estão na tradição cristã romana, para os dias que antecedem a quaresma para a páscoa.
Então, quarenta dias antes da páscoa, era permitido o consumo de carne e festas que se estendiam até a quarta-feira de cinzas. "A carne é fraca", uma expressão também do cristianismo para alertar o fiel sobre os perigos e tentações mundanos.
Sempre ocorria uma missa e os católicos iam à igreja e recebiam uma cruz de cinza na testa para se livrarem dos seus pecados. A partir daí as pessoas se recolhiam por 40 dias, com jejuns, penitências e ajuda aos necessitados.
Nesse período era exigido aos fiéis católicos que não comecem carnes. Então essa tradição, que vem desde o século IVdC. Se mantém até os dias atuais, com pequenas alterações nos calendários de até 44 dias abstêmios de carne, na expressão do latim (carnem levare) ou “abster-se da carne” e daí o Carnaval, em que comer, beber e se divertir era permitido (nationalgeographicbrasil/2023).
O carnaval é comum em países de tradição católica como Itália, França, Portugal e Espanha. Estes introduziram a festa em suas colônias e no Brasil a tradição se tornou estrondosa, se transformou na maior festa de rua (popular) do país e do mundo.
Aqui no Brasil, os povos escravizados de matriz africana, com forte tradição religiosa ligada aos orixás (Candomblé, Umbanda, Quimbanda, entre outros), sempre fizeram o culto as suas divindades com muitas músicas, danças e festas. Das diferentes comunidades de origem africana, o sincretismo religioso entre católicos e religiões africanas se misturaram, mas durante o carnaval, estas misturas se tornaram mais fortes e reveladoras dessa riqueza cultural de matriz africana.
Nas últimas décadas, grupos conservadores de extrema direita, evangélicos, homofóbicos e racistas, passaram a condenar e a criticar o carnaval como sendo uma festa diabólica e de adoração ao satanás.
Aproveitam esse período para fazer campanhas negacionistas aos carnavalescos e as programações de carnaval que virou um fenômeno festivo que atrai turistas de todos os continentes do globo.
O carnaval além de ser uma festa alegre, divertida e extravagante, movimenta a economia de todo o país e nos estados e cidades com maior tradição como Recife, Salvador e Rio de Janeiro, Belém, São Paulo entre outras, registram milhões de turistas que tiram férias em seus países de origem e vêm para o Brasil, pois o carnaval acontece em pleno verão e em muitos lugares, o pré carnaval ocorre por quase trinta dias.
Então temos essa mistura de praia, sol e festa, tudo junto e misturado. O carnaval e o verão geram maior arrecadação econômica com o turismo. Junto com o futebol, em especial com o movimento de torcidas, campeonatos e jogadores, são movimentados, bilhões em todos os anos. Só lembrando que cada grande jogo, vira um carnaval, dentro e fora dos estádios.
Outro importante aspecto do carnaval no Brasil é a grande diversidade regional devido ao tamanho do país, logo foram criadas diferentes tradições como o frevo, o maracatu, o cavalo marinho, o bumba meu boi, o axé, o samba e todos os anos são lançados novos estilos e ritmos que embalam os foliões.
No carnaval também existem competições oficiais como desfiles de escolas de sambas, além de outros estilos de danças, mas a maior movimentação do público brincante é a festa de rua, com blocos de carnaval que arrastam milhões pelas ruas e avenidas.
O carnaval é uma festa da diversidade, da democracia e de extravasar as tensões de um longo ano de labuta e também de coletivamente ir para as ruas, com fantasias coloridas, prontos para a folia.
Muitos grupos ou indivíduos aproveitam o carnaval para fazer criticas ao sistema político e econômico adotado no país. Também aproveitam para criticar os maus políticos, com fantasias, adereços e músicas que viraram tradição em todo o país.
Como os políticos de extrema direita, sempre adotam políticas contrárias aos direitos do povo, são os mais criticados pelos foliões. Daí dizer que, muitos dias que atacam e são contra o carnaval e, em grande parte, também são antidemocráticos.
Nesse sentido, o Carnaval brasileiro é uma festa de resistência e luta por liberdade e democracia popular. A rua é um espaço de liberdade, diversidade e resistência política. Por isso, grupos conservadores e antidemocráticos atacam esse espaço de voz crítica e subversão estética da ordem, levando milhões de pessoas a ocupar as ruas e avenidas do país.
Com a crescente onda de grupos de extrema direita e seus métodos de propagação de notícias falsas, recentemente, grupos de bolsonaristas e políticos de extrema direita, tentaram impedir judicialmente o desfila da Escola de Samba Acadêmicos de Niterói, devido ao samba enredo que faz uma homenagem a Dona Lindu, mae do presidente Lula e a saga dos migrantes nordestinos para o sudeste, com destaque para a família Silva, ao exemplo de um filho de origem pobre, um operário que se tornou presidente do Brasil.
Ainda divulgaram uma Fake News, afirmando que Lula havia liberado um milhão de reais para a Acadêmicos de Niterói, como se Lula tivesse comprado o samba enredo para auto promoção. Quando na verdade, todas as Escolas de Samba foram beneficiadas com esse mesmo valor, através do Ministério do Turismo e da Cultura.
Na notícia falsa, eles não falam que o governo do Estado está investindo mais de 30 milhões e a prefeitura municipal do Rio está investindo mais de 50 milhões ( ambos bolsonaristas). Mas eles não dizem que as projeções do Ministério do Turismo é que o carnaval movimenta mais de 15 bilhões de reais, podendo ultrapassar os 18 bilhões de reais, sendo os turistas estrangeiros a maior parte dessa dinâmica financeira.
Logo, mentir e tentar boicotar o carnaval é um ato de querer prejudicar a economia do país. É um ataque à maior expressão de democracia popular e de povo nas ruas e avenidas, esbanjando alegria, felicidade e paixão pela folia brasileira. E essa ano que o presidente Lula conseguiu conter a inflação, ampliar os postos de emprego, reduzir o preço de combustível e baixar o preço dos alimentos, em especial a carne, a festa será gigantesca ou apoteótica.
Quanto aos protestos e críticas políticas, serão bem humoradas e carregadas nas fantasias, com figuras políticas corruptas e golpistas se transformando em alvo dos foliões. Como diz Alceu Valença: "Eu acho é pouco, eu quero é mais!"
*Por Belarmino Mariano. Imagens das redes sociais. Fonte: Guarabira50Graus.
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