O Irā e a Realidade Simulada pelo imperialismo dos USA
O geógrafo brasileiro Elias Jabbour, um dos especialistas em geopolítica da China, em entrevistas no ICL notícias, ou no Brasil 247, sempre ressalta a importância do materialismo histórico e dialético de Marx, para entender a realidade sem simulacros midiáticos.
De acordo com Jabbour (2026), para Karl Marx, em "O Capital", "o concreto é síntese de múltiplas determinações". Marx, faz uma inversão da dialética do filósofo Hegel e na busca da maternidade ou do real, afirmou que "o concreto existe independentemente do pensamento, e a teoria serve para reproduzi-lo idealmente, não para criá-lo.
É com essa interpretação preliminar do pensamento marxista que nos deparamos com o concreto e real mundo da guerra e suas narrativas, quase sempre, simulacros dos interesses imperialistas.
Na atualidade, todos se voltam ao Oriente Médio, Irã, Israel, Estados Unidos e centenas de outros países. Mas a ideia inicial é ficarmos no Irã, nos territórios da Suméria, Persia e Babilônia. Lugar de textos sagrados em tabuletas de argila e primeira morada do povo Anunaqui na Terra. Povo vindos do céu, como narram os mitos persas ou sumérios.
Já são milhares de anos em que, provavelmente a primeira grande civilização Suméria, se estabeleceu nos territórios do atual Irã, Iraque, Afeganistão e outros territóris da antiga Pérsia. Guerras seculares, grandes construções e eles nunca foram totalmente vencidos ou derrotados.
Feita essa rota históricace geopolítica, destacamos 18 situações geopolíticas que pontuam os atuais conflitos no Oriente Médio. As tentativas mais recentes estão vinculadas ao Pós-Segunda Guerra Mundial, Guerra Fria e maior influência dos EUA no mundo.
1) O Irã 1951-1953 - tinha um governo nacionalista de viés socialista e preocupações com um Estado Nação autônomo. Era governado por Mohammad Mosaddegh, que nacionalizou os campos de petróleo e desagradou os EUA.
2) Em 1956 - ocorreu um Golpe de Estado, com total apoio e envolvimento dos EUA e Inglaterra, restabelecendo a velha monarquia e o retorno do Xá Mohammad Reza Pahlavi - 1941 - 1979.
Reza Pahlavi implantou uma ditadura impopular e transformou o Irã numa colônia dos EUA e do Reino Unido, com um governo e regime fantoche.
3) A partir de 1979, ocorreu uma Revolução Islâmica e instauração do governo de retomada Islâmica ao poder. Dai teremos a Teocracia Xiita contra o imperialismo capitalista, liderada pelo Aiatolá Khomeini, que derrubou o regime monárquico pró-ocidental do Reza Pahlavi e voltou-se para a cultura islâmica mas conservadora.
Instalação da Doutrina velayat-e feqih, dando maior poder ao clérigos islâmicos, com menos poder aos liberais, inclusive de esquerda.
Desde essa época os EUA tentam derrubar o regime, sem sucesso. (a ideia é manter o controle do petróleo, como ocorre na Arábia Saudita e outros países do golfo pérsico). Como não consegue, faz todos os tipos de chantagens, boicotes e ameaças contra o Irã.
4) As Guerras no Golfo Pérsico - uma das maiores interferências dos EUA na região foi entre 1980/1988, provocar a Guerra irã- Iraque, estimulada pelos EUA, que foram expulsos do Irã (1979) e nunca aceitaram a derrota do seu governo fantoche.
5) Invasão do Afeganistão e Iraque - as últimas grandes investidas dos Estados Unidos na região foram a invasão do Afeganistão (2001) e do Iraque(2003), motivadas pelo simulacro dos atentados de 11 de setembro de 2001 nos EUA. Vejam que estes dois países têm fronteiras diretas com o Irã e, aparentemente, também seria mais fácil ocupar o Irã por terra.
6) As Operações Desastrosas de Trump - as invasões de Afeganistão e Iraque foram desastrosas, ao ponto de Trump retirar toda a tropa dos USA do Afeganistão em 2021. Somando 20 anos de ocupação e desgaste. Inclusive no mesmo momento em que os EUA estimularam o conflito entre Ucrânia e Rússia.
7) Em 2023 os EUA deram total apoio e cobertura a Israel nos massacres contra os palestinos. A Faixa de Gaza virou um inferno e o genocídio contra mulheres, crianças e idosos se tornaram imperdoáveis.
8) 1983 - Mais de 40 anos de embargos e bloqueios dos EUA ao Irã. Os desdobramentos de agora, depois de todos os bloqueios econômicos, as ameaças e o apoio direto para os ataques de Israel ao Irã em 2025, foram cruciais para a atual situação, que piorou e muito, pois Trump e seus impulsos insanos, colocaram o mundo diante do maior impasse geopolítico do século 21.
9) O Irã é parte do BRICS+ sendo o maior parceiro da China e da Rússia na região e integrando a nova rota da seda, ligação Eurásia e Oriente Médio. Tentar desestabilizar o BRICS+, com os ataques contra o Irã, está parecendo mais "um tiro no próprio pé".
10) Em março de 2026, o Irã fechou o Estreito Ormuz para seus inimigos, área por onde passa 20% do petróleo para o mundo. Seu aliado direto controlando o estreito do Iêmen na entrada do mar vermelho 12% do petróleo. Somam 32% da circulação do petróleo mundial, que está sob o controle de países que desagradam os EUA.
11) O Geógrafo Elias Jabbour (ICL, 2026). Alertou sobre a desculpa dos ataques contra o Irã, devido a violência contra mulheres praticada pela teocracia xiita, mas esquecem do feminicidio, violencia sexual e pedofilia contra mulheres, práticas de Trump e seus aliados.
12) Desde 1948, no Oriente Médio, Israel é base de sionistas Norte-americanos e de magnatas capitalistas. Os sionistas que migraram dos EUA para a Palestina receberam uma nova Israel a serviço dos grandes interesses capitalistas.
13) Além disso, os EUA teriam algum interesse em atacar o Irã? Será que só o petróleo basta? Será que ainda são as derrotas do passado? Ou são as chantagens dos sionistas de Israel para obrigar Trump e os políticos dos USA, com sua reputação apodrecida?
14) 2026 começou com uma guerra sem limites, clara e com muitas armadilhas do passado. A morte do líder supremo iraniano Ali Khamenei, gerou mais unidade dentro do Irã. O novo líder Mojtaba Jhamenei, 56 anos, mais calado e mais radical que o pai. Declarou guerra santa contra EUA e Israel e as consequências já estão sendo sentidas
15) Os efeitos esperados por Trump deram errado, pois estamos vendo a continuidade da Revolução Islâmica de 1979, com apoio popular e contrário ao imperialismo capitalista. O próprio governo iraniano ganhou muito força nas duas últimas semanas.
16) Entre outros desdobramentos do conflito EUA, Israel versus Irã, geraram uma nova crise do petróleo. Em curto prazo, trouxe benefícios às empresas dos EUA, mas em médio prazo beneficiará a Rússia, pois essa crise energética afeta diretamente a Europa, que terá como saída a dependência e o retorno ao petróleo e gás russo.
17) Outro desdobramento é a crise de segurança em Israel e em todo o oriente médio. A resistência iraniana e desgaste dos EUA e Israel, apesar do acobertamento midiático, é real. Já notamos um realinhamento islâmico e a crise de relações com governos pró-ocidentais no Oriente Médio estão crescendo com a forte demonstração de poder do Irã.
18) O desgaste do dólar e inflação descontrolada devido as altas do setor energético e em breve o colapso do sistema e fim do dólar entre as economias emergentes (BRICS+). É o que temos para hoje.
*Por Belarmino Mariano. Da Série Geopolítica. Imagem das redes sociais. Fonte: Elias Jabbour (ICL Notícias, 2026), Plantão Brasil, Brasil 247 e BBC Brasil.
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