"The king is naked" - Trump no Gabinete de Crise
Por: Vinicius Messina, via João Lopes e Blaut Ulian Júnior*
Essa é a ideia central desse artigo. "The king is naked" (O Rei está nu). Em uma tradução bem literal. Como no escandalo de pedofilia, abuso sexual contra adolescentes e chantagens sionistas (do editor).
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"O New York Times publicou nesta semana um artigo interessante e detalhado que prova que Trump se deixou arrastar para a guerra por falsas promessas israelenses numa "apresentação altamente confidencial" em fevereiro, na Sala de Crise, com a sua equipe, Netanyahu e o chefe dos serviços externos da Mossad.
Netanyahu convenceu Trump a juntar-se a Israel num ataque que "seria rápido e decisivo". Bombardeamentos intensos, a mobilização de guerrilheiros curdos para desestabilizar o país e a sabotagem interna por agentes da Mossad garantiriam uma revolta popular contra o governo iraniano, que dariam passo à restauração de uma monarquia fantoche liderada por Reza Pahlavi.
O diretor da CIA, John Ratcliffe, considerou o cenário traçado por Netanyahu de "ridículo". JD Vance, que regressou de viagem alguns dias depois, também manifestou sérias dúvidas quanto ao sucesso da operação. No seio do governo, apenas o secretário da Guerra, Pete Hegseth, defendia a campanha militar. Kushner, genro responsável pelas negociações com os iranianos, apoiou Netanyahu. Até Marco Rubio se mostrou muito cético.
O que terá então feito Trump decidir-se pela guerra? Talvez o seu envolvimento no escândalo Epstein, relegado desde então para segundo plano?
Tel Aviv forneceu informações muito pobres ou deliberadamente falsas, que se enquadravam mais uma vez na obsessão de Netanyahu em destruir o Irã, expressa na doutrina que delineou no seu livro "Fighting Terrorism", publicado nos anos 90, e que consistia em aniquilar todos os seus oponentes no Médio Oriente.
O sistema iraniano, muito mais plural do que se faz crer no Ocidente, mostrou solidez e a população, muito orgulhosa, não tolerou o ataque estrangeiro sem reagir com veemência, posicionando-se do lado do governo. Em suma, o ataque israelo-americano apenas serviu para reforçar o regime iraniano, que agora imporá naturalmente as suas regras e condições.
Preso à lógica de cavar cada vez mais fundo a sua própria cova, após semanas de ditos e desditos, mentiras descaradas e uma operação militar desastrosa, Trump chegou ao fundo do poço esta semana, ao ameaçar destruir uma civilização milenar, ante o assombro do mundo. Agora, tem um problema interno: os seus inimigos mais viscerais são do próprio movimento MAGA que o levou ao poder. Acusam-no de ser um mero empregado do sionismo, dos neocons e do complexo industrial-militar.
Para o cidadão ocidental médio e para os seus políticos, educados nas películas de Hollywood, é difícil compreender como é possível perder uma guerra após ganhar batalhas e infligir tanta destruição. Não aprenderam nada com os vinte anos no Afeganistão, nem com o desastre no Vietname, nem com as campanhas avassaladoras de Napoleão no Egito, nem com as Guerras Púnicas. Nada. Ainda estão convencidos que “ninguém ganha os EUA”.
Desde as guerras no Afeganistão, Iraque e Síria, o Irã tem sido o fator de estabilização da região do "Grande Médio Oriente". A cada movimento que os EUA e Israel realizam, o Irã projeta a sua influência entre os países vizinhos, sejam eles xiitas, sunitas ou cristãos. Basta ver os casos do Iraque e do Líbano.
No rescaldo destas seis semanas, o Irã controla finalmente o Estreito de Ormuz, por onde passa um quinto da energia do planeta. Como poderá Trump retirar-lhes agora este brinde que ele mesmo ofereceu a Teerã? Nos últimos dias, o tragicómico representante da Casa Branca até afirmou que quer ganhar dinheiro com aquele negócio, em parceria com o Irã. Patético.
Aos EUA resta somar-se ao mundo multipolar já em curso. Poderia tê-lo feito há cinco anos, em Genebra, quando o Joe Biden se reuniu com Vladimir Putin; ter-se-ia evitado muito sofrimento e guerras desnecessárias. Em vez desta queda violenta e dispendiosa, os EUA teriam iniciado um processo de integração no mundo multipolar, que já não admite a hegemonia e a arrogância como paradigma.
Há seis semanas, no primeiro dia desta operação, era claro que a guerra era irresponsável, que estava condenada ao fracasso e que teria o condão de acelerar o processo inevitável de reconfiguração da balança de poder mundial para o Leste, para a centralidade da Eurásia. Este processo é possível graças à coordenação da tríade Teerã, Moscou e Pequim que, atualmente, já conforma o centro da economia mundial.
É verdade que nada está decidido: os EUA tentarão agora de tudo para salvar a face e recuperar a credibilidade junto dos seus aliados, ou tentarão fazer alianças improváveis num ato de desespero. Alternativamente, poderão querer mostrar mais força e tornar-se ainda mais violentos, aproximando-nos todos de uma catástrofe global. Nenhuma destas opções poderá alterar o quadro estratégico do Oriente Médio.
As negociações deste fiasco prosseguem no Paquistão, com o vice-presidente a liderar, mas agora com um Irã mais forte do que nunca. Teerã não vai ceder a mais nenhuma chantagem dos EUA e, agora que o Aiatola que proibia expressamente a posse de armas nucleares está morto, irá, necessariamente, munir-se desse elemento dissuador à sua segurança. Nada voltará a ser como antes, nem no Golfo, nem no mundo. Agradeça-se a Trump."
*Texto do Jornalista Vinicius Messina.
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