A Verdade Sobre as Mulheres no Irã e Países Árabes e/ou Mulçumanos que os EUA Escondem.
As mulheres são discriminadas e violentadas no mundo todo. Esse modelo em que, mulheres valem menos que homens, em alguns poucos países já foram superados legalmente, mas na prática, no mundo doméstico e até mesmo no mundo político e do trabalho, existe discriminação, em muitos casos, disfarçadas e em outras situações explícitas.
Aqui no Brasil existe uma grande aparência em que as mulheres são completamente livres, independentes e autônomas. Porém, na realidade prática, existe muito preconceito e discriminação contra as mulheres, seguidos de violência psicológica, física e até o assassinato de mulheres (feminicidio), com perseguição e violência extrema.
A grande mídia internacional, a partir de um discurso ideológico contra o Irã há quase 40 anos, sempre usa o discurso de que no Irã as mulheres são reféns do Estado Islâmico e não tem nenhum tipo de liberdade. Mas será que isso é verdade? E se comparado com outros países árabes e islâmicos de monarquias absolutas, as iranianas vivem em situações piores?
No Irã, assim como em centenas de países, as mulheres ainda estão lutando para conquistar direitos de igualdade, mas os EUA criaram uma narrativa que no Irã as mulheres não têm direito a nada e valem a metade de um homem. O mesmo não divulgam da Arábia Saudita, Iêmen, Catar, Emirados Árabes Unidos, entre outros países aliados dos EUA, em que as mulheres são sombras.
No Oriente Médio, alguns países aliados dos Estados Unidos, que são verdadeiras ditaduras, em que, nem eleições acontecem e que, as mulheres não têm direito algum, pois são completamente controladas por pessoas do sexo masculino, inclusive com estupros domésticos normatizados ou sem punição.
Países onde não ocorrem eleições, pois adotam monarquias absolutistas: Arábia Saudita, Omã, Catar e Emirados Árabes Unidos, entre outros. Estes países são completamente dominados por homens, e as mulheres nestes países são apenas sombras sociais e culturais.
Mas enquanto os EUA perseguem o Irã, passam para o mundo uma ideia parcialmente falsa sobre as mulheres no Irã, como se fossem totalmente reprimidas. No Irã as mulheres têm direitos políticos desde 1963. Lá elas podem votar e serem votadas, ocupando cargos políticos nas diferentes esferas do poder.
Claro que não é uma tarefa fácil, para as mulheres islâmicas e com clássicas regras religiosas, mas se comparado com outros países, como Arábia Saudita, Omã, Catar e Emirados Árabes, que nem eleições existem, as mulheres iranianas, têm emancipação política mais significativa.
Existe uma completa hipocrisia dos governos dos EUA no Oriente Médio, em que, ignoram a precária situação das mulheres em países aliados, enquanto grita aos quatros cantos que as mulheres iranianas, são abusadas pelo governo e seus líderes.
Dá a entender que as mulheres iranianas vivem em situações piores do que as mulheres do Afeganistão, sob o regime Talibã. País que foi invadido pelos EUA, que por lá ficaram por quase 20 anos e nada mudaram na vida das mulheres daquele país islâmico.
No Irã as mulheres frequentam Universidades e é um dos países com mais mulheres cientistas no mundo. Inclusive com grandes descobertas e avanços tecnológicos comandados por mulheres. As mulheres são a maioria das estudantes, ultrapassando 60% e lideram importantes áreas como medicina e área de saúde, engenharia e exatas.
Ou seja, as mulheres com nível superior, ocupam importantes cargos, tanto em empresas privadas, quanto em órgãos públicos. Mesmo sendo ambientes dominados por homens, elas ainda sofrem preconceitos, assim como nos diferentes países ocidentais.
Apesar de as forças armadas iranianas, mulheres não serem obrigadas a servir, existe uma grande participação feminina diretamente nas forças armadas iranianas.
Elas atuam nas forças militares de segurança pública e são ativas na Guarda Revolucionária Islâmica e nas milícias paramilitares do Irã. Outras áreas em que as mulheres estão presentes ativamente, são nas pesquisas e no desenvolvimento de tecnologias militares e de segurança nacional.
Agora em 2026, depois dos ataques dos EUA e Israel, contra o Irã, foram registradas, grandes marchas militares armadas e desfiles públicos demonstraram uma grande presença de mulheres com fardas e armas em punho, em grandes pelotões prontos para o combate.
Apesar de ser uma informação secreta, se especula a participação de milhares de mulheres na linha de frente e outros milhares em setores estratégiacos das forças do segurança do país.
Enquanto os EUA tentam usar as tradições culturais e religiosas do povo islâmico para atacar o Irã, ignora ou esconde o que acontece contra as mulheres, nos países aliados. Eles atacam a República Islâmica do Irã, onde ocorrem eleições e o exercício político de homens e mulheres, mas encobre e protege ditaduras, onde mulheres são puras sombras.
O discurso e as narrativas ocidentais propagadas pelos EUA, em especial sobre a situação das mulheres, tem dois pesos e duas medidas. Parecem preocupados com o direito das mulheres iranianas, que usam hijab (lenço) para cobrir o cabelo e o pescoço em público, mas ignoran a violencia contra as mulheres nos países árabes que são seus aliados diretos.
A luta das mulheres pela sua independência, liberdade e autonomia devem acontecer em todos os ambientes e países do mundo, independente de interesses políticos, econômicos e culturais. O que não se pode, é usar a situação político cultural de um país, deturpar a realidade para ampliar uma narrativa golpista.
As mulheres iranianas, ainda vivem sob limites e clássicos valores de submissão religiosa, mas não são únicas e nem estão em piores situações que muitas mulheres que buscam sua liberdade, presa a uma cápsula religiosa patriarcal e machista.
Mas a hipocrisia é tanta que, aqui mesmo no Brasil, em que as mulheres já conquistaram grande independência e liberdade em relação aos homens, na prática, essas mesmas mulheres são constantemente violentadas, agredidas, estupradas e mortas por homens violentos e machistas, inclusive fervorosos cristãos.
Aqui no Brasil, pastores e religiosos que criticam o Irã, no púlpito de suas igrejas, pregam que as mulheres devem ser submissas aos homens (varões), quando ocorrem escândalos no seio da igreja, geralmente as mulheres são as condenadas e muitas vezes, implicam em darem razão ao homem, onde é a mulher quem deve silenciar e se curvar as vontades masculinas.
De acordo com a revista phillyvoice, os Estados Unidos da América do Norte, independentes desde 1776, auto-considerados a maior democracia do mundo, todos os seus presidentes são homens. E até hoje, mais recentemente, apenas duas mulheres concorreram ao cargo de presidente, mas não foram eleitas.
No geral, a paridade de gênero dos EUA ainda é baixa, onde os homens controlam mais de 80% do poder executivo, com 50 Estados, sendo 37 governados por homens brancos e apenas 14 por mulheres. No poder legislativo federal os homens ocupam mais de 72% do poder legislativo, enquanto as mulheres são apenas 28% (phillyvoice, 2026).
Esse quadro se repete nos cargos de indicação política, dentro do governo central, ultrapassando os 85% de cargos ocupados por homens, principalmente brancos. Esses dados são simbólicos e impactantes na prática. Hipocrisia política, narrativa falsa de igualdade, liberdade e autonomia das mulheres em relação aos homens.
Quando ampliamos a pesquisa sobre a escala política local, cidades ou províncias, o quadro de governos locais por homens, ultrapassa os 75%, enquanto as mulheres ocupam menos de 25% dos cargos (CAWP, 2025).
Para muitos políticos de extrema direita, fundamentalistas cristãos, as mulheres são um apêndice do homem, estão para servir, para ajudar ao homem, sem exigências ou isonomia, pois na Bíblia a mulher foi criada para servir ao homem.
Vendo o Show de Shakira em Copacabana, com mais de 2 milhões de fãs, a participação da Cantora Ivete Sangalo, Maria Bethânia e Anitta, foi realmente espetacular. Ela fez a famosa dança do ventre relembrando as mulheres do Oriente Médio, e falou sobre mães solteiras, cantou e dançou a libertação das mulheres. Mas os extremistas da direita, patriarcal e machista, caiu de pau e atacou a cantora, como se ela fosse uma enviada do demônio.
Não é sobre mulheres submissas, independente das religiões, se católicas, cristãs, islâmicas ou hebraicas, mas é uma lógica patriarcal, patrimonial e machista, em que, as mulheres sempre são vistas como submissas às vontades masculinas, por vontade de Deus.
Esse modelo precisa ser quebrado, precisa ser vencido por mulheres e por homens que defendem a emancipação das mulheres e os direitos iguais em todos os níveis e países. Por tanto, não é apenas um problema das mulheres iranianas.
As mulheres do Irã, há décadas, estão organizadas e lutam pela sua emancipação política e cultural. É uma luta complexa e eivada de conflitos legais de ordem religiosa e patriarcal. As mulheres iranianas, também estão em luta antiimperialista e isso faz toda a diferença, pois não confundem a sua luta por emancipação histórica e as ameaças dos inimigos externos.
*Por Belarmino Mariano. Imagem dascredes digitais. Fonte: BBC Brasil, CNN Brasil, phillyvoice, CAWP, Esquerda Online, Uol, Geoguerra.
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