Luciano Hulk, como pertencente à “Classe Mérdia”

Por Raí Araujo*

"A socióloga, pensadora, crítica literária e escritora Marilena Chauaí, descreve 
pessoas que nem Luciano Hulk, como pertencente à “Classe Mérdia” essa classe que se imagina, a aristocracia moral do país, e traduz este grupo, como pessoas que odeiam reconhecer os próprios privilégios, e que sentem prazer quase físico, em vigiar os pequenos benefícios destinados aos pobres. 
Esse grupo, não se incomoda com bilionários herdando fortunas sem produzir nada, mas incomoda-se, com o miserável que consegue comprar carne uma vez no mês.

A “classe mérdia” não combate privilégios, ela combate a democratização da dignidade.

Por isso é simbólico que a crítica contra o programa social e inclusivo Bolsa Família, venha justamente de Luciano Hulk, alguém cuja trajetória não foi a epopeia meritocrática que ele tenta vender.
Huck não saiu do nada;
Não venceu nada “apesar de tudo”;
Não atravessou a brutalidade estrutural reservada aos pobres brasileiros, pois nasceu dentro do sistema vencedor, e herdou capital econômico, cultural e social, e fez o que muitos herdeiros fazem: multiplicou vantagens que já existiam. 
O problema não é ter "nascido em berço de ouro" e ter herdado riqueza. 
O problema é transformar herança, em discurso moral, contra quem herdou apenas a fome.

Existe algo colonial na postura deste "mauricinho". É que a elite brasileira sempre teve horror, à ascensão dos que invertem a lógica burguesa, e vindo de baixo, ascendem socialmente. 
Desde a abolição, a burguesia, tipo da família Hulk, passa pelo medo, de conviver com "os diferentes" nas universidades públicas cheias de pobres, nos aeroportos, shoppings e restaurantes...
O pobre aceitável, para esta burguesia brasileira, é o pobre invisível. O pobre que agradece. O pobre que serve. Nunca o pobre que consome, estuda, viaja, vota ou reivindica direitos.

O Bolsa Família nunca foi apenas um programa de transferência de renda. 
Para esta elite, aqui representada pelo "mauricinho da Globo" ele tornou um trauma simbólico: a evidência concreta de que o Estado pode, interromper a lógica histórica, segundo a qual nascer pobre no Brasil, deveria ser uma sentença hereditária, e é justamente isso, que incomoda tanto. Não o custo do programa, mas o fato de que, pela primeira vez, alguém na senzala, conseguiu comprar o próprio prato de comida, sem pedir autorização à casa-grande.

E quanto a Luciano Hulk, que posa de bom moço, mas no fundo, ele é apenas mais um canalha..."

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