Israel em guerra. Os rabinos têm medo é das mulheres.

.  Por Hajj Ananias Pinheiro, via Blaut         Ulian, Junior*

Israel está em guerra e precisa de soldados. Os rabinos recusam enviá-los. Por causa das mulheres.

Doze directores de yeshivas (escolas religiosas onde o estudo da Torá se combina com o serviço militar) anunciaram que deixarão de enviar alunos para os corpos blindados.
A objecção não é à guerra. É às mulheres nos tanques.

Os rabinos escreveram que o serviço em tanques mistos é "proibido pela lei judaica" e causa "danos espirituais e práticos à capacidade de combate."

Os alunos continuarão a servir noutras unidades de combate, mas não nos tanques onde há mulheres.

Segundo o Times of Israel e o Al Jazeera, cerca de 80 mil jovens ultra-ortodoxos elegíveis recusam alistar-se no exército, invocando a lei judaica, apesar de o Supremo Tribunal israelita ter ordenado o seu recrutamento.

Yair Golan, ex-vice-chefe do Estado-Maior e presidente do partido Democratas, classificou a medida como "uma vergonha": "As mulheres servirão onde quiserem e em todas as funções que o exército precisar. As Forças de Defesa de Israel são o exército do povo, não uma milícia sectária."

A ironia é cruel

Israel precisa desesperadamente de soldados para os seus tanques, os mesmos tanques que, no Líbano, têm sido atingidos por drones baratos do Hezbollah.

E são as suas próprias autoridades religiosas que recusam enviar combatentes. Não por medo dos drones, mas por causa das mulheres.

Os ultra-ortodoxos vão ainda mais longe: afirmam que a Torá os dispensa do serviço militar. Enquanto uns combatem e morrem, outros invocam Deus para não ir à guerra.

Não são os inimigos de Israel a reconhecer o fracasso de um dos exércitos mais bem equipados do mundo. São os seus próprios jornais.

O Maariv avisa que Israel pode estar "numa guerra de desgaste sem fim." O Haaretz alerta que a política actual "pode corroer a dissuasão israelense." O Israel Hayom fala em "arrogância e falsas suposições."

Quando a sua própria existência está em jogo, consegue o sionismo vencer inimigos tão poderosos e, ao mesmo tempo, travar uma guerra dentro de casa?

O futuro o dirá. Se houver futuro.

Fontes
Ynet · Times of Israel · Al Jazeera · The War Zone · Maariv · Haaretz · Israel Hayom

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