GEOPOLÍTICA NO CARIBE - As Ameaças dos EUA a Venezuela São Antigas
Por Belarmino Mariano*
Na semana passada a grande mídia latino americana, em especial a brasileira, toda financiada pelos EUA, narrou a mesma pauta, em que, Donald Trump (Republicano), havia autorizado o deslocamento de uma frota naval com três navios e um submarino nuclear para a Costa da Venezuela, com o intuito de combater o narcotráfico na região do Caribe.
Todos os estudiosos da geopolítica sabem que toda a região do Caribe, é dominada pela marinha Norte-Americana, desde a construção do Canal do Panamá, Guerra Fria e dos conflitos com Cuba, Nicarágua, El Salvador e financiamento de ditaduras militares pró-imperialista, então não existe nada de anormal nestes movimentos militares marítimos dos EUA nessa região.
Mas as narrativas pró-imperialistas, foram ampliadas umas 500 vezes, dando a entender que Trump iria invadir a Venezuela e ainda fortaleceram um discurso de Trump e assessores, que atacavam o presidente da Venezuela, como um ditador e chefe de grupo narcotraficante das Guianas e Caribe. Inclusive com prêmio em dólar pela captura do presidente Maduro.
O estardalhaço midiático foi gigante, mas, depois de 4 dias da suposta operação militar, tempo suficiente para a frota chegar à Venezuela, as mesmas fontes midiáticas golpistas deram a notícia de que, aquela operação havia sido cancelada, devido ao furacão Erin que se aproximava da Costa Americana.
Muito estranho a forte Marinha dos EUA abortar uma operação dessas. Mais estranho ainda, que esse deslocamento de frota naval, pareceu uma tentativa cinematográfica e midiática de movimentação de tropas e equipamentos militares de guerra, típico da atual guerra híbrida de narrativas que criam mais fumaça e pirotecnia do que fatos reais.
No mínimo, uma operação militar cara e perigosa, para recuar logo em seguida, pois havia um "furacão no meio do caminho (oceano)". Essa história está muito mal contada, ou Trump não passa de um idiota brincando de presidente da maior potência militar do mundo.
Logo nos EUA, com o maior e melhor equipado Centro de Pesquisa Geológica e Climatológica dos EUA, maior frota naval de guerra do mundo, arregar, justamente por causa da formação de furacões na Costa Leste. Muito estranho, pois eles conseguem prever furacões, com até 30 dias de antecedência ou mais.
"A pulga continua por trás da orelha", pois resolveram fazer uma grande operação militar naval, justamente na semana em que as previsões apontavam a chegada do Furacão Erin, de magnitude 5 na escala dos furacões e tornados.
O furacão chegou realmente, mas como uma tempestade tropical e atingiu muito mais áreas dos Estados Unidos, do que do Caribe. Ou seja, na prática, seria melhor continuar a operação, pois afastaria as embarcações do "olho do furacão". Então, parece muito mais mesancenio, ameaça e blefe do que "real politiky".
O que não fez sentido, foi observar que os supostos navios com nome e sobrenome, "navio de assalto anfíbio USS Iwo Jima, os navios de transporte de doca USS Fort Lauderdale e USS San Antonio, além de destróieres e um submarino nuclear", sempre estão permanentemente atracados em mar e portos, nessa região do Caribe e Golfo do México, fazendo a segurança e patrulhamento do mar territorial dos Estados Unidos e Canal do Panamá.
Esse tipo de operação sempre fez parte do chamado "Corolário Roosevelt em adição à Doutrina Monroe, de pensar toda a América do Ártico a Antártica, sob domínio dos EUA". Então, essas ameaças militares contra a Venezuela são muito antigas e estão atreladas aos golpes militares durante a "Guerra Fria", onde os EUA passaram a controlar essa região com apoio da burguesia nacional dos países dominados.
Mais recentemente, quando Hugo Chaves assumiu o poder (1999-2013), período em que nacionalizou toda a produção e distribuição do petróleo venezuelano. Ato que desagradou profundamente as empresas multinacionais e os governos dos EUA, as pressões contra os Venezuelanos se tornaram insuportáveis.
Em 2001, os EUA tentaram articular um golpe de Estado e destituir Hugo Chaves, mas foi um golpe fracassado, com Chaves retomando o controle do país ainda mais forte. Com a sua morte em 2013, seu vice Nicolás Maduro deu continuidade ao governo bolivariano e com mais ameaças e bloqueios econômicos dos EUA. A pressão Norte-americana levou a Venezuela ao isolamento e a uma crise sem precedentes na história.
Diante das fortes pressões e ameaças, Maduro resolveu pedir ajuda militar e econômica da Rússia, China, Irã e Coreia do Norte, que foi atendido e desde então, diminuíram as ameaças e o país retomou seu crescimento e sua ordem bolivariana.
Por volta de 2022, os EUA voltaram a comprar o petróleo venezuelano, o mais barato do mundo, e, desde que Trump assumiu a presidência, novas ameaças e chantagens voltaram a acontecer. Trocar o nome do Golfo do México para golfo da América, ameaças ao México, ao Panamá e à Venezuela, voltaram aos noticiários. Tudo como uma velha estratégia de considerar a América Central, Caribe e América do Sul, como o quintal dos EUA.
A Grande Desculpa de Trump, tanto contra o México, quanto contra a Venezuela, é combater os quartéis de drogas, mas todos sabemos que os interesses são outros, como minérios e petróleo para as grandes empresas do "Tio San" lucrarem. Na Venezuela em específico, estão as maiorescreservas de petróleo do mundo, então ficam clarascas intenções:
Nesse momento, tanto o México, quanto a Venezuela, estão na lista dos países que poderão fazer parte do BRICS+ e Trump, também sabe que no atual momento, não será tão fácil, invadir a Venezuela, sem graves consequências. Esse poderia ser um novo Vietnã na América Latina, com forte agravante, a Venezuela fica há apenas cinco dias navais dos EUA e há algumas horas aéreas.
A Venezuela é hoje um vespeiro militar fortemente armado com equipamentos russos, chineses, norte-coreanos e iraniano. Só essa semana, Maduro convocou cerca de 4,5 milhões de militares da Força Miliciana Bolivariana, prontos para defender seu território e sua soberania.
Para concluir esse artigo, vale dizer que quase todas as matérias e notícias, com imagens dessa suposta frota, não demonstraram a tal aproximação da marinha Norte-americana ao solo venezuelano, mas a notícia gerou uma forte repercussão negativa ao governo Trump, tanto no próprio EUA, quanto no mundo, com declarações de líderes das grandes potências, contrários a esse suposto movimento geopolítico. Trump, vive seu pior dilema, querer ser o "Imperador do Mundo", mas acumula uma derrota e um recuou atrás do outro.
*Por Belarmino Mariano. Imagem representativa do Poder Naval, BdF e BBC.
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