"ESTADOS UNIDOS E ISRAEL ESTÃO PRATICAMENTE DERROTADOS"
Por Thomas de Toledo, via João Lopes e Blaut Ulian Junior*
A Turquia acaba de declarar apoio ao Irã. Os Houthis do Iêmen entraram oficialmente na guerra ao lado do Irã, se somando ao Hezbollah do Líbano.
Os chechenos russos anunciaram que se houver uma invasão dos Estados Unidos, lutarão ao lado dos iranianos. Paquistão e Coreia do Norte já demonstraram que podem auxiliar o país persa, inclusive com armamentos nucleares.
Rússia e China não declararam apoio oficial ao Irã, mas seguem vendendo armas, equipamentos, peças de reposição e o mais importante de tudo: informações de geolocalização para que o Irã acerte seus alvos com precisão e em tempo real.
Do outro lado, Espanha e França se recusaram a deixar os Estados Unidos usarem seus territórios como base. Nenhum país da OTAN decidiu se somar à coalizão Epstein (Estados Unidos e Israel). Israel anunciou que também não pretende participar de uma invasão terrestre.
Trump está isolado e fez uma declaração mentirosa de que o "novo regime iraniano" (sem ter tido mudança de regime) concordou com um cessar-fogo e com a reabertura do Estreito de Ormuz. As autoridades do Irã negam as negociações e o estreito continua fechado. Trump anunciou que irá se retirar da guerra, independentemente de qualquer coisa.
Ou seja: Estados Unidos foram derrotados no objetivo de mudar o regime iraniano, de destruir seu programa nuclear e de limitar a fabricação de mísseis do país. Todos os objetivos traçados fracassaram e depois da derrota no Iraque e no Afeganistão, os Estados Unidos agora amarguram uma campanha vexaminosa e humilhante.
O saldo para os Estados Unidos foi ter praticamente todas as suas bases militares no Oriente Médio completamente destruídas. Tiveram dois porta-aviões seriamente danificados, aviões stealth F18 e F35 derrubados, além de um avião-radar de espionagem caríssimo ter sido abatido em solo. Todo o sistema de radares para detecção de mísseis foi destruído.
As monarquias familiares do golfo, que eram aliadas estadunidenses, se encontram numa situação insustentável. O petrodólar que assegurava a liquidez da moeda imperialista está em acelerado colapso e a inflação como consequência dos tarifaços e da guerra levaram uma inflação sem precedentes aos Estados Unidos. Protestos massivos ocorreram em mais de 3 mil cidades estadunidenses neste final de semana contra a guerra e contra Trump., Trump apenas espera o cheque-mate nas eleições deste ano para perder a maioria no Congresso.
Agora sobre Israel: o regime sionista não recebeu apoio de nenhum aliado de peso. Internacionalmente, a imagem de Israel encontra-se em seu maior desgaste desde a invenção do país em 1948. Netanyahu enfrenta protesto, principalmente dos prefeitos das cidades atingidas pelo Irã.
O Irã transformou o famigerado "domo de ferro" israelense em ferro velho. Os mísseis iranianos entram no território israelense sem qualquer tipo de bateria antiaérea abatê-los. A economia israelense está parada em função da guerra e a população precisa várias vezes ao dia se refugiar em abrigos.
Netanyahu precisa de uma guerra pra continuar no poder. Decidiu atacar o Líbano e promover uma limpeza étnica para anexar territórios. Há relatos de que em um dia, o Hezbollah destruiu em um dia 21 tanques Merkaba, totalizando quase 100 na semana. Foguetes não param de cair em Israel disparados tanto pelo Hezbollah quanto pelos Houthis.
Enquanto políticos israelenses bebem champanhe para comemorar a aprovação da pena de morte para palestinos, o país é dia a dia destruído pelos mísseis iranianos. Israel esconde o número de mortos e os danos causados, mas mesmo assim as imagens vazam.
Por fim, o que se pode dizer é: Trump perdeu feio e voltará aos Estados Unidos metendo o rabo entre as pernas.
A saída dos Estados Unidos deixa o Irã livre para terminar seu acerto de contas com Israel. Israel, isolado, perdeu todos os possíveis aliados. Por tabela, as monarquias do golfo podem cair ou ao menos se debilirarem a ponto de ficarem irrelevantes. O único que ganhou até agora com está guerra foi o Irã, que conquistou simpatia no mundo todo e mostrou que é um grande ator regional e agora uma potência militar.
Obviamente que numa guerra tudo pode mudar, mas Ceteris Paribus, esse é o cenário: Estados Unidos e Israel derrotados e o Irã emergindo.
*Texto do Thomas de Toledo.
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